terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

sábado, 23 de janeiro de 2010

BBB e a moral do dia

Hoje tava assistindo pela internet o Big brother 2010. Como aqui não tenho acesso a televisão, muito menos a globo. E como eu adoro o Big brother, tinha que achar um jeito de ver porque a joseane foi eliminada, qual o perfil dos participantes, qual a tirada do dia do Bial,...

O Big Brother é um dos meus programas prediletos, o perfil das pessoas é mostrado de forma tão crua...e eu adoro analisar perfis, supor comportamentos, tentar prever...para mim é uma grande diversão.

E essa versão tá ainda mais legal, as apresentações de cada um no programa inicial mostra várias pessoas que adoram aparecer, se mostrando de maneira tão crua...que te faz pensar sobre suas próprias características e como você se mostra...Filosófico, não?

Pois é, isso cabe bem no meu ano. Há dois meses morando na Índia, uma das coisas que mais me sinto tentado a fazer é me conhecer melhor...e nossa, como são tantas as oportunidades de se conhecer melhor!

Acho que em geral, quando se está feliz a gente se conhece melhor, porque a tendência é simplificar a forma como você enxerga suas qualidades e defeitos...quando a gente tá triste, a tendência é exagerar defeitos e exagerar qualidades. Prefiro simplificar.

E como é bom ter defeitos e qualidades! E como é bom discutir com outras pessoas, não concordar, brigar...e em outras vezes aceitar, se sentir incluido. É bom ser duas coisas ao mesmo tempo.

E melhor ainda é saber que você pode ser essas duas coisas.

Dou um exemplo. Eu adoro gente estilosa, usar cachecol, oculos com o aro preto, botas bonitas, corpo em forma, saudável...formas de se vestir que são pessoais, que tem um toque individual, diferente...mas ao mesmo tempo quem me conhece sabe que passo o dia com a roupa dormida, sou capaz de ir em um casamento vestido desse jeito, tomar banho só se tiver que sair...se arrumar dá um trabalho...

É bom ser você mesmo e se sentir bem sendo quem você é...até quando você aceita que não consegue aceitar algo...dou outro exemplo, como é engraçada a nossa relação com o corpo.Nunca está bom do jeito que está e sempre acreditamos que pode melhorar.

O Alain de Botton, un autor que eu adoro, uma vez disse como as pessoas se sentem inconfortáveis sendo quem elas são, estranhas no próprio corpo...para complementar: como é legal aceitar que você, por vezes, se sente inconfortável sendo quem você é...

Adoro um comportamento da minha amiga Dani araujo...quando ela tá de mau humor, tá de mau humor para todo mundo, não importa se você tem a ver com a história que deixou ela de mau humor ou não. E ela assume isso de maneira tão crua, como se dissesse: não tô bem hoje, algum problema com o fato de não estar bem?

Nenhum, Dani. Adoro não estar bem hoje e estar bem no dia seguinte.

Realmente. Como é bom criar frases que só você fala, se sentir inseguro e depois se sentir acolhido. Ser egoísta e não querer dividir. Como é bom ter idéias e dar idéias. Como é bom dançar. E como é melhor ainda bater boca com o vizinho que dá festas até de madrugada...como é bom chamar a atenção...como é bom julgar e depois se confundir no próprio julgamento...como é bom é ter amigos e ter inimigos...

Bom é não ter certeza de nada e querer sempre saber mais sobre si próprio.

Vou continuar assitindo o BBB!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Nossa casa ;)

Uma das partes mais legais da experiência tem sido a convivência com os meus colegas no nosso flat. Moramos em um apartamento em um bairro chamado Andheri West em Mumbai.

Nosso prédio

O apartamento em si não tem nada além das camas, armários e da gente. Parece que o antigo morador carregou tudo, desde o gás da cozinha até a fechadura interna da porta! A localização do apartamento é boa, o bairro é bom, cheio de restaurantes, shoppings e prédios mais bonitinhos.

Vista da varanda

Falo isso com certa experiência de caso. Tive que procurar apartamento, visitei dois. Cada um para 4 pessoas com 2 quartos. Moravam indianos e eu (se fosse morar lá) teria que dividir uma cama de casal com um indiano um ano inteiro, o cabo da internet tinha que ser revesado e o banheiro é daquele estilo de cócoras! Fora que os prédios eram feios de doer.

Vaso é um buraco no chão e...

...baldinho para lavar a bunda

Decidi ir morar com os gringos. Somos em 8: Timo (Finlândia), Vishal (Nova Zelândia/ Ilhas Fiji), Cristian (Alemanha), Harsha (Sri Lanka), Ada (Polônia), Ira (Casaquistão), Ashlee (Canadá) e eu (Brasil).

Formamos uma grande família, super bem entrosada. Morar com eles é uma grande diversão. Compartilhamos tudo, das dores de barriga aos almoços e passeios juntos Outro dia o Timo me ligou no trabalho para me perguntar qual era a marca do bolinho de chocolate que tinha comprado e se era gostoso. Vê se não é uma família?

As estrelas de bollywood moram pertinho daqui. Outro dia saimos para correr no parque e acabamos foi correndo junto dos indianos atrás de um trio passando pelas ruas com os atores promovendo um novo filme Dulha Mil Gaya (Você conseguiu um noivo!).

Estréias em Bollywood!

O Timo (Finlândia) é um cara super relaxado. Da riqueza de Helsinki e de um país de loiros com 5 milhões de pessoas ele veio morar em Mumbai (uma cidade que só ela tem 20 milhões, ou seja, 4 vezes a população do país dele). Imaginar a Finlândia e a Índia parece que é olhar para dois extremos, cada um em uma ponta. Ele veste uma capa de quem não liga para nada, tudo tá tranquilo. Na hora de discutir as contas da casa, de tomar uma decisão com a cabeça no lugar ou de contar uma história engraçada é só chamar o Timo. Todo durão e racional esconde o lado de quem desenha maravilhosamente bem, lê vários livros e é um sentimental de carteirinha.

Timo

A Harsha é simplesmente uma figura. Uma baixinha falante do Sri Lanka, amável. Passa o dia rindo e contando dos ensinamentos de Lorde Buda, do Sri Lanka e do dia em que ela bateu na cara do amigo de escola que tentou beijá-la no rosto. De uma família e um país bem tradicionais, os amigos dela não podem nem saber que ela mora com outros homens. Ela tá arriscada a não conseguir um casamento e perder o total respeito deles.

O Cristian é um alemão de carteirinha. A primeira vista de poucas palavras, durão, beberrão de cerveja. Mas quebrar essa barreira e engatar um conversa revela um cara super sensível, preocupado com os outros e extremamente consciente das coisas que acontecem ao redor dele. Ele veio para Índia apaixonado por uma indiana que morou na Alemanha e chegando aqui os dois tem enfrentado maus tempos pelas atitudes dos pais dela. Na Índia, uma idéia bem comum é a de que os indianos não devem namorar sem casar, outra é a de que não devem se casar com estrangeiros. Ou seja, os dois estão separados pela vigilância dos pais da indiana e, pela internet e chamadas escondidas no telefone, vivem um caso digno de novela das 8.Planejando o dia em que ela vai fugir com ele para o exterior.

Vishal, Harsha, Cristian, eu e Timo

O Vishal é uma figura. Nascido em Fiji (umas ilhas perdidas no Oceano Pacífico), ele e sua família imigraram para Nova Zelândia. Ele tem 22 anos de idade e veio aqui trabalhar em uma ONG com projetos contra o aquecimento global. Mas desistiu logo na primeira semana. Declarou que não gosta da Nova Zelândia e está de férias na Índia. E é assim que ele passa os dias cuidando dos cachos do cabelo, comprando roupas indianas em shoppings, curtindo as noites de Mumbai, os amigos indianos e os filmes/ estrelas de Bollywood. Ele aprendeu hindi assistindo aos filmes! E fazer tietagem com as estrelas do cinema é com ele mesmo. Ontem fomos um bar-boate super estiloso frequentado pelos atores, diretores e modelos de plantão. Imagina a gente na tietagem com os artistas. Vishal estava numa felicidade impagável.

Vishal e sua obra de arte: a revolta do meu cabelo!

Ashlee é uma canadense de um beleza digna de Hollywood. Com a voz suave e de forte presença, é só ela começar a falar que todos param para ouvir e admirar. Ela trabalha em uma grande multinacional alemã aqui em Mumbai, está namorando um polonês super gente fina.

Ira veio do Casaquistão, país que ela diz que ser chato e não ter nada para fazer. É super interessada em questões socias do tipo como acabar com a pobreza, como melhorar a educação. Veio para Índia para trabalhar com empreendedores apoiados pela Artemísia. O escritório dela é chocante, segundo o que ela disse. Fica em um lugar escondido, sujo. Mas o empreendedor social que ela apoia é um empreendedor da Ashoka e tem feito um trabalho fantástico de melhoria das condições de vida de milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza em vilarejos da Índia.

A Ada é uma polonesa louquinha. Tem 30 anos, adora turismo e deicidu largar tudo na Polônia e vir trabalhar na Índia. Ela tem a voz da experiência, mas sinto que é ainda uma menina no corpo de uma mulher.

Hoje fizemos um passeio juntos. Tipo domingo no parque com os irmãos. Mas não era um parque. Fomos ao Dharavi, a maior favela na Ásia. Lá foi filmado o filme Quem quer ser um milionário. Foi surreal. As impressões sobre essa favela de 1 milhão de pessoas e as outras aventuras e aprendizados em Mumbai ficam para o próximo post.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Um dia em Mumbai

Mumbai acorda

Na casa em que estou não é raro faltar água. Temos que fazer malabarismos com a caixa de água, tomar banho na hora certa. Até a água do vaso acaba, daí todo mundo tem que ir na cozinha buscar água da pia se quiser dar descarga. Descarga essa que sai da sua privada e vai direto para o córrego perto do prédio, que na verdade é um esgoto a céu aberto. Do lado do córrego, famílias de migrantes de vilarejos (de casta mais baixa) moram em uma mini favela com casas construídas com papel, latão ou madeira. Eles trabalham como pedreiros em um grande shopping em construção ao lado da favela ou como empregados no prédio da esquina, onde moram as estrelas dos filmes de Bollywood.

Bollywood

Alguns conseguiram trabalho no oeste da cidade - lavando roupa. Precisam pegar o trem todo dia em uma viagem de pelo menos 2 horas. No trem é melhor ficar esperto, correr e pular para dentro com o trem ainda em movimento para garantir seu espaço. Nas horas de pico pode ser que só te sobre a janela, mas do lado de fora ;)

Lavando roupa

Certamente, alguém no trem vai estar te olhando, sabe-se lá pensando no quê. No letreiro, as estações, quando aparecem, aparecem em híndi (com alfabeto diferente) – como saber onde você vai parar? Do seu lado alguém fala inglês, a pessoa responde em marati (uma das línguas locais) e ele conclui com metade das frases em híndi, metade em inglês. Os dois se entendem. Perto da janela, o indiano coloca o rádio para fora do trem tentando sintonizar: é dia de partida de críquete - Índia contra Sri Lanka!

Turbante

Daí, na estação você pede informação a um senhor que usa um turbante e ele te convida para um chá, te conta da região do norte da índia em que ele nasceu, fala da sua religião, do deserto e também das cordilheiras nevadas, tudo pertinho um do outro. Quando você pergunta do Paquistão e das bombas que explodiram na cidade no ano passado, ele muda de assunto. Este senhor trabalha em uma empresa de TI (tecnologia da informação), que emprega milhares de indianos a custo mais baixo prestando serviço para os americanos.

Norte da Índia

Pode ser que a esposa dele seja sua colega de trabalho. É ela que usa sári, te pergunta quando você vai se casar, te traz doces nos dias festivos e te cumprimenta a distância. Beijos no rosto ou contato físico entre pessoas de sexos diferentes são muito mal vistos. Daí você sai na rua e vê um grupo de homens, todos de mãos dadas, se abraçando e ate sentando um no colo do outro. Isso pode.

Festivais o ano todo

Se você quiser comer, vai ter que se adaptar. O país tem mais vegetarianos que o resto do mundo inteiro. A vaca é sagrada e os restaurantes de comida SÓ vegetariana estão em todos os lugares. Um dia comendo verduras apimentadas e bebendo água na rua pode te trazer uma noite animada no banheiro. Se quiser comer carne, vai ter que ser de galinha. Mas nada de peito da galinha. Na Índia tem muita gente, vai te sobrar o ossinho com carninha ou se muito, uma asinha.

Vaca sagrada

De volta para casa, a empregada que mora na favela da frente chega para limpeza do dia. Enquanto você admira o conjunto de brincos na orelha dela, os adereços no nariz, o sinal vermelho na testa e o vestido colorido, ela limpa sua casa por R$ 40 por mês. Então, você se despede dela e repara que os vizinhos estão fazendo uma celebração. Pela porta da para ver que um Deus com cabeça de elefante enfeita a sala, um circulo de pessoas vestidas de uma maneira diferente fazem rituais e as comidas estão espalhadas pelo chão.

Bem, e sexta-feira. Dia de ligar para os amigos e sair à noite. Na boate, você conhece uma indiana que acabou de chegar de Londres. Ela está com seus amigos modernos, viajados e que conhecem o exterior. A roupa de grife e o celular comprado na Europa combinam bem com o cachecol colorido que antes sua mãe usava junto do sári. Ela é moderna mas nada de contar aos seus pais que está namorando, já que provavelmente eles devem estar pensando no futuro casamento arranjado dela. Ela tem 24 anos, hora de casar.

Pronta para casar

A boate fecha as três. Por favor, saiam pedem os seguranças. Na volta para casa, uma procissão religiosa em plena rua deserta. A poeira cobre a luz, todos de branco, andando em silêncio. Mas o que é aquilo que eles estão carregando? Um caixão com um morto! Um frio te sobe pela coluna e daí alguém te explica: são muçulmanos que optaram por fazer o enterro de madrugada, talvez pela impossibilidade de fazê-lo no caótico trânsito do dia.

Muçulmanos

A cidade é tão lotada, onde devem ficar os cemitérios? – você pensa. Não tem, os indianos hindus são cremados e lançados no mar ou nos rios, de preferência o Ganges, que é sagrado.

Rio Ganges: sagrado

Depois de chegar e de discutir com o motoristo do tuk tuk que quer te cobrar a mais, antes de dormir uma idéia na cabeça: a Índia é capaz de te inspirar, frustrar, causar arrepio e confundir, tudo ao mesmo tempo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Maya e Raj

Essa semana aconteceu algo bem curioso e inusitado: fui a um típico casamento indiano sem ser convidado!

Convidados dançam no meio da rua em direção da festa

Fui almoçar com meus colegas que dividem apartamento comigo. Comemos em um restaurante chinês e na volta demos de cara com um casamento indiano acontecendo em plena rua.

Noivo chega em seu cavalo branco

O noivo estava montado em um cavalo e era seguido por uma procissão de gente e uma banda.

O cavalo branco

Enquanto a banda tocava, os fogos de artifício explodiam, o transito parava, o noivo desfilava no cavalo e os indianos dançavam em plena rua caótica de Mumbai!Estava tudo tão bonito e tão colorido, a música era linda e contagiante. E o noivo estava tão feliz, ele sorria tanto que fiquei realmente emocionado.

Noivo explodindo de felicidade =)

Os casamentos na Índia são em grande maioria arranjados. Pelo que me contaram, os pais do noivo buscam uma noiva para ele, que tenha mais ou menos as mesmas condições financeiras e de educação do noivo. Nesse casamento, os noivos tinham 24 anos e pertenciam à casta mais alta.

Noiva chega carregada a la cleopatra

Como estávamos acompanhando a procissão pela rua e tirando milhares de fotos, acabamos chamando a atenção. A procissão andou por uma hora até chegar no espaço fechado em que seria a festa. Aí, acreditem, fomos convidados a entrar!

Só que minha roupa não estava nada adequada: havaianas, bermuda e blusa regata dormida! Enquanto isso os homens usavam turbantes vermelhos e roupas douradas, prateadas...e as mulheres, sáris belíssimos e jóias no rosto inteiro.

Vestido a carater

Lá dentro fomos super bem recebidos e na super cara de pau, até suquinho e salgadinho comemos e bebemos.

Batalhão masculino

Fomos informados que o casamento durava 3 dias! Este era o último. Ufa! A noiva, ao contrário do Brasil não se veste de branco e ela não se atrasa porque tem que estar lá esperando o noivo chegar em seu cavalo branco.

Ele chega carregado nos ombros dos homens e em um palco giratório encontra sua amada (que por sinal ele conheceu pouco tempo antes depois das famílias acordarem o casamento!). Os dois trocam colares feitos de flores. Essa parte representa o lado da noiva. Como se eles selassem o compromisso no lado feminino.

Trocando os colares de flores

Daí o noivo vai para um espaço todo suntuoso e espera a noiva, sentado em uma cadeira de rei. A noiva chega carregada por 4 homens em um tipo de cama a la rainha Cleópatra e senta-se de frente para o noivo. Esse encontro representa o laço sendo selado no lado masculino!

O casório

Daí seguem-se rituais e mais rituais...

Enfim casados

Só acho que no final das contas exageramos na cara de pau. Na Índia nada é previsível: com o mesmo tom amável que fomos convidados a entrar e bem tratados lá dentro, também fomos convidados a nos retirar da festa. Parece que a família da noiva não gostou da presença de firangues estrangeiros ;)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Tata Consultancy Services - TCS

Essa semana tivemos um treinamento com a TATA com duração de 10 dias de 9h às 19h. Um grupo de 30 trainees indianos (estudantes recém formados em MBA) foi selecionado em toda a Índia e eles estão aqui em Mumbai para este treinamento. Daí tive sorte de chegar nessa época e pegar o treinamento deles. Eles têm entre 23 e 26 anos e vão trabalhar com RH em toda a Índia (cidades como Déli, Calcutá, Chennai, Bangalore,...).

O nosso batch, ou seja, grupo ;)

Este treinamento foi legal para ter uma visão geral da empresa, suas áreas de negócios, produtos, gestão de projetos, estrutura organizacional e sobre todas as funções e papel do RH. O legal é que o setor de RH também está relacionado com as políticas de diversidade, sustentabilidade e responsabilidade social da empresa. Um dos dias tivemos que debater um caso de diversidade cultural de uma indiana que por hábitos culturais não olhava nos olhos dos outros enquanto falava. Ela foi transferida aos EUA e repreendida pelo seu chefe americano por esta postura que ele considerou insegura e apática. A idéia era propor soluções como RH para políticas de diversidade da empresa.


Além disso, está sendo ótimo para interagir com os trainees indianos e os gestores da empresa, entender como é o jeito indiano de trabalhar e fazer negócios. As sessões são dadas por diretores de RH e até de marketing de nível global. As primeiras sessões foram com os Head of Global HR para Talent Acquisition e Talent Deployment (ou seja, eles dividiram a área de RH em processos e cada um tem seu chefão global).


Eu estou adorando os treinamentos, porque minha formação é de engenharia. Tudo que aprendi com RH foi na AIESEC e agora está começando a esclarecer como isso funciona dentro de uma empresa com 140 mil funcionários, atuando em mais de 80 países. A base que tive na AIESEC tem sido fundamental para acompanhar bem os treinamentos, no mesmo pé dos outros indianos (todos eles têm MBA em RH).


Essa semana, a Head of Global Talent Management (chefona dos processos de gestão de talentos em nível global) fez uma sessão de motivação com a gente. E foi simplesmente fantástico! Uma mulher madura vestida em sári, cabelo preso em um coque e um sinal vermelho na testa entrou na sala e quando começou a falar não consegui mais tirar os olhos dela. De um senso de humor incrível falou sobre carreira na TCS, sobre a forma como os jovens buscam oportunidades atualmente, sobre família, equilíbrio e deu dicas de vida. Ela fez várias ironias com a área de RH e a falta de experiência da gente. Falou sobre a ansiedade dos jovens que pulam de empresa para empresa, sobre a necessidade de reconhecimento rápido e as inseguranças profissionais. Encerrou deixando seu recado, que não poderia ser mais confortante vindo de uma psicóloga com doutorado, carreira internacional e 20 anos de empresa: não tenham pressa, não busquem o céu, dêem um passo de cada vez. Vocês têm duvidas, e eu tenho respostas que aprendi durantes todos esses anos. Façam um bom trabalho, independente de qual ele seja e com maturidade, cresça.

Jantando juntos

Foi importante para que a gente refletisse qual é o nosso tempo e qual é o tempo da empresa. Para atingir objetivos na maioria das vezes é melhor não buscá-los em linha reta, para crescer é preciso aprender a crescer. Além disso, me fez refletir sobre determinação e realização. Ser determinado e alcançar um objetivo desejado não significa realizá-lo (no sentido de concluí-lo). Por exemplo, digamos que você quer muito um determinado emprego com determinadas funções, é o trabalho dos seus sonhos. Daí você planeja, se esforça e consegue! Ótimo, uma etapa foi atingida. Mas pela frente vem algo mais difícil ainda: manter o emprego e crescer com ele! Para isso, é preciso entender que bons e maus dias virão. Você vai precisar enfrentar as dificuldades e elas são fundamentais para que você cresça.

Agatha e eu: empresa quer diversidade no quadro de funcionários

Voltando ao treinamento, na sala, eu e a Agatha (uma polonesa) somos as atrações internacionais. Eles são super gentis, nos perguntam dos nossos países, nos integram nos grupos e pedem licença para fazer uma piada que só os indianos iriam entender. Uma das facilitadoras me pediu para fazer um ice break (ou seja, uma dinâmica de quebra gelo) e eu ensinei os indianos a dançar lapada na rachada, o famoso forró cearense que virou hit na AIESEC! Imaginem a cena... Nas horas mais sensuais, eu fiz o passo e eles ficaram me olhando como se fosse algo de outro mundo. Daí, imaginei: exagerei, fiz alguma coisa não aceitável para Índia. Tive que brincar e disse: isso é culturalmente difícil para vocês? (Lembrei do Gabs e suas dúvidas culturais existenciais quando ele foi ao Marrocos, perguntava-se – devo trocar de roupa em um quarto com uma criança mulçumana? ;) Na hora eles falaram NÃO! E todos começaram a dançar. Foi muito engraçado. Daí quando a facilitadora pediu para eu traduzir a letra, tive que sair pela tangente: fica para próxima, hehehe... não quero perder meu emprego =D Agora, ela me pediu para fazer uma listinha desses quebra-gelos para ela usar durante esses dias de treinamento.

Além das sessões normais, também fazemos dinâmicas de grupo. Já fizemos um teatro, tivemos que trabalhar em grupo em cima de casos reais e propor soluções, construir uma torre com canudos de plástico e desenvolver uma propaganda para o carro Nano da Tata,... Pelas pessoas que tenho interagido no treinamento, estou gostando muito do jeito indiano de trabalhar. Eles em geral são bons negociadores, sabem o que querem, são assertivos, dizem o que tem que ser dito e são muito cordiais em grupo. Por alguma razão que me parece cultural, os jovens do treinamento respeitam muito os facilitadores e se respeitam entre si. Na Índia, tem muita gente e em geral as pessoas precisam aprender a compartilhar e ao mesmo tempo brigar pelo que é seu. Acho que isso tem dado uma mistura legal e talvez até seja uns dos fatores que estejam levando a Índia a se tornar uma super potencial global. Na América Latina, no geral, as pessoas são muito passionais. Facilmente levam as coisas para o lado pessoal. Tiro isso das experiências de time que tive, quantas vezes não discutimos sobre fulano que entendeu assim e você disse assado, daí ele ficou com raiva, parou de trabalhar, desmotivou outras pessoas, e por aí vai. Aqui na Índia negociar e debater são culturais, assim como parece ser não levar para o lado pessoal. Terminou a discussão, terminou e pronto.

Linda Ruchi de Hyderabad (outra cidade da Índia)

Acabei por fazer grandes amizades, todos indianos! Sentamos sempre no mesmo grupo que foi pré-determinado antes de começar. Levei um tempo para aprender os nomes deles, mas agora adoro todos de montão: Anu, Amrita, Mayank, Vinya, Dany e Nisha. Morro de rir a cada dia. No último, fomos todos jantar juntos (me ofereciam de tudo, queriam que eu experimentasse e depois ficavam rindo das minhas caretas) e depois fomos para um tipo de barzinho indiano. Os indianos não costumam beber. Nem pessoas fumando eu tenho visto!

Novas amizades: Nisha e Amrita

Sobre a empresa, a TATA CONSULTANCY SERVICES é uma empresa pertencente ao Grupo TATA, que é o maior grupo de empresas da Índia. Esse grupo é formado 96 empresas que variam de automóveis (Tata Nano, Land Rover e Jaguar) a indústrias de fabricação de aço, incluindo até redes de Hotel como o Taj Mahal Hotel.

A TCS (Tata Consultancy Services) é a consultoria deste grupo. Presta consultoria em tecnologia da informação , outsourcing, engenharia e negócios. Possuem 139 escritórios em 42 países, além de outros centros de apoio e laboratórios de inovação espalhados pelo mundo. A idéia desses laboratórios, conhecidos como innovation labs é criar soluções ainda não pensadas para seus clientes. Eles desenvolveram, por exemplo, um sistema de bilhetes aéreos para a empresa holandesa KLM em que o passageiro recebe no celular sua passagem.

Meninas do grupo juntas da Tanupriah (coordenadora do treinamento)

A TCS trabalha sob os princípios de desenvolver soluções que sejam de alta qualidade, custo efetivo em qualquer lugar e a qualquer hora para que seus clientes atinjam seus resultados e ganhem vantagem competitiva. Para isso, eles trabalham com uma linha de consultoria padronizada globalmente e que atende indústrias de 24 setores diferentes – de bancos e seguros a indústrias de alta tecnologia e do setor energético. Entre seus clientes, 49 são empresas que estão no TOP 100 da revista Fortune, como a General Eletric e o Citibank.

No treinamento pude perceber que eles buscam muitos engenheiros de tecnologia da informação. Este setor de TI muda muito e muito rápido, quem tem as competências e habilidades necessárias pode ter certeza que está empregado. Se a pessoa tiver habilidades de liderança, resolver problemas,... melhor ainda! Na TCS, essas pessoas trabalham em geral como consultores que atuam diretamente no cliente ou na estrutura da própria TCS. E como a empresa é global, os funcionários podem ser alocados no mundo todo de acordo com o projeto em que estiverem trabalhando. No meu quarto tem um indiano que depois dessa semana vai fazer consultoria por 1 ano em uma empresa na Arábia Saudita. Eles deixaram claro também que chegam a preferir engenheiros do que profissionais de RH para trabalhar com recursos humanos. A TCS está na disputa por talentos com outras grandes empresas. Aqui na Índia, os recrutamentos de trainees acontecem direto em universidades com alunos dos programas de MBA.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Blogging my way to India

A aventura começou!

Vitória – Rio – Paris – Mumbai. Essa foi a rota de 30h até encontrar meu apartamento as 3h da manhã. Despedida no aeroporto com minha família e minha amiga Janaína. Embarquei para França com Alê e o vôo foi de longe o mais divertido de todos! Riamos de tudo, queríamos praticar francês, então qualquer situação já era motivo para soltar um ça va (tudo bem) para a aeromoça e pedir champagne ou vinho (que de chique não tem nada para quem nunca bebe e começa a passar mal dentro do avião). Fora a hora em que passamos conversando com um russo ex nadador olímpico um tanto exótico (que andava quase sem camisa dentro do avião) e sua mãe (elogiada pela aeromoça: cette femme mange trés bien – esta mulher come muito bem =P). Alê também ficou muito feliz com as opções do menu e disse que nunca tinha comido nada tão chique (fala sério alê, carne assada, cenoura e arroz?). Em Paris, nos empolgamos com o frio de 6 graus e a fumacinha saindo da boca. Foi o suficiente para nos despedirmos, cada um indo para um lugar diferente. Ele foi aproveitar as horas de conexão para uma rápida visita a Torre Eiffel (será que ele conseguiu?) e depois seguir para Berlin, onde junto da Jana e da Lívia eles começam um mochilão imperdível de engraçado que vai ser. Já eu tive que me apressar para pegar a conexão para Mumbai.

Alê procura conexão de vôo

O vôo foi tranqüilo e com 85% formado por indianos. A chegada em Mumbai já foi bem atípica. A começar pelo horário (meia noite). A saída do avião já revelava um cheiro diferente no aeroporto, um cheiro forte e tipicamente indiano. Cada passo que eu dava me empolgava mais pelo que vinha a frente. O oficial me fez algumas perguntas padrão e carimbou meu visto. Welcome to India, ele disse. Daí senti que a jornada tinha começado.

Saí em busca de trocar meu dinheiro pelas rupias e em achar o Anuraag, menino da AIESEC que iria me buscar. Tarefa que logo se revelou complicada ;) Nessa busca por onde ele deve estar me esperando acabei descobrindo (Marcelinha já tinha me falado) que o aeroporto só deixa entrar as pessoas que vão embarcar, logo todas as outras estão fora! E não é que estavam mesmo? A 1h da manhã uma multidão tava na porta do aeroporto segurando placa de todos os tipos. Não consegui conter o riso, era tanta gente e tanta placa que eu só pude rir. Não achando o menino eu ainda tinha a opção ligar. Fui buscar um telefone e descobri que precisava de uma moeda para fazer a chamada, moeda que eu só conseguiria dentro do aeroporto. Voltei e tentei entrar, quando percebi a polícia atrás de um tipo de barricada com sacos de areia bem na porta do aeroporto (tipo um filme de guerra hehehe) e fuzis apontados para a multidão que esperava os passageiros no lado de fora. Com uma arma na direção da minha cabeça dei um sorriso amarelo para o guardinha e falei eu não posso entrar, não é mesmo? Tudo de bom para sua família...

No meio da muvuca, encontrei um cego que fazia chamadas em um telefone por 3 rupias o minuto. Liguei e Anuraag disse que quem viria me buscar era Siddarth (alguma semelhança com Sidartha Gautama – o Buda? =S). Logo Siddarth apareceu e me colocou em um taxi (custou assustadoras 500 rupias, que na verdade não passam de 20 reais por 1h30 de corrida!).

A corrida de taxi foi bem engraçada. O taxista (que não falava inglês) parou várias vezes, sendo que uma era para mijar, outra para abastecer e outra para cumprimentar um desconhecido na rua. Mumbai estava coberta por uma nevoa que em alguns momentos mal dava para ver os prédios. Era olhar para a luz, que parecia uma poeira levantada. Acho que é uma névoa de poeira =P Na vinda para o apartamento da Tata, vi muitos tu-tuks, cachorros, uma vaca, poeira, favelas, prédios que pareciam que uma bomba tinha acabado de cair. Os dois taxistas foram muito legais, sozinho eu jamais encontraria esse apartamento as 3h da manhã. Eles se perderam, se acharam, paravam, discutiam na rua com outros indianos onde deveria ser esse tal de condomínio Lodha Paradise que eu iria ficar. Demorou tanto que tinha hora que eu achava eles iam me largar no meio da rua e desistir. Pelo contrário, não se aquietaram até me verem dentro de casa!

Nevoa de poeira cobre Mumbai

A casa na verdade é um apartamento que a Tata (empresa que irei trabalhar) comprou nessa região que está crescendo com condomínios novos nos arredores de Mumbai. Já que na cidade mesmo já não cabe mais ninguém, abarrotada com mais de 20 milhões de pessoas. O apartamento tem dois quartos e recebe funcionários da Tata em passagem pela cidade. Tem dois empregados: um cozinheiro e um caseiro (=S). Eles dormiam no chão da cozinha na noite que cheguei (de cortar o coração) e fazem tudo para mim. Apesar da minha costumeira cara-de-pau, chego a ficar envergonhado. Me trazem água, se eu chego na sala eles já se levantam para eu sentar, não deixaram eu nem mudar minhas malas de quarto (eles levaram)...

Um dos prédios da TATA: eles estão em todos os lugares.

Uma das experiências que eu mais esperava era a de pegar um daqueles trens indianos a la quem quer ser um milionário. Tive que andar, pegar um tuk tuk, um trem e um taxi para chegar um dos prédios em que a Tata tem escritórios em Mumbai. O trem foi de longe o mais divertido. Pelo tanto de pessoas nas estações, não é de se admirar que a Índia tenha 1 bilhão de habitantes. Tudo tem fila. Depois de entender o caos da estação e com meu bilhete em mãos, achei o trem, mas entrei no vagão errado. Por assedio sexual nos trens, o governo separou as mulheres e os homens. Eu fui entrar justo no vagão das mulheres. Elas começaram a gritar que tinha um homem no vagão. Imagina mulçumanas cobertas com véu e indianas vestidas de sári me botando para fora do trem. No fim tudo acabou em boas risadas com as indianas. Na volta para casa, depois de uma hora feito sardinha dentro do trem (o transcol é uma maravilha, acreditem!), chegando na minha estação, a muvuca de homens começou a pular para fora do trem com ele em movimento. E onde eu estava? Justo na porta com cabelos aos ventos. Não tive a opção não pular, eu fui lançado com a galera para fora do trem. Sorte que do lado de fora já vinha outra centena de indianos pulando para dentro do trem, então tive quem me segurasse antes de eu dar de cara com o chão.

Lotados ate no domingo a noite

Já vi muitas pessoas perguntarem a outras que haviam viajado para Índia se elas haviam gostado ou não. Em geral, as pessoas falam que você ama ou você odeia a Índia. Eu discordo um pouco. Primeiro acho que ninguém ama a Índia. É impossível um gostar de um lugar que a melhor palavra para defini-lo talvez seja caos. Um lugar em que as buzinas estão prontas para te deixar surdo, que os estrangeiros chegam a passar mal para se adaptar a comida, que tem fila para tudo, que a cultura é de burocracia, que os trens têm gente até no teto, que atravessar uma rua pode ser uma grande aventura, que poucos entendem o que você quer dizer, que uma poeira cobre a cidade e mal dá para ver os prédios no outro lado da margem, que você tem que ficar atento para não te cobrarem mais do que o produto custa, que os rios são poluídos e as favelas estão para todos os lados... Agora, isso não quer dizer que você não pode se acostumar. Mumbai, mais ou menos, seria equivalente a São Paulo indiana – só que muito pior ;)

Água de fontes incertas: a ONU prevê que 60% da população global viverá em cidades grandes em 2028. Na Índia isso significará quase 800 milhões de pessoas. De onde vai vir a água potável?

Esta semana, uma indiana coberta com sári e véu no rosto segurava uma criança na rua em que eu passava de taxi. No sinal vermelho, ela agarrou no vidro do taxi e pedia dinheiro, apontava para boca que estava com fome. O sinal demorou tanto a abrir e ela não saia da porta do taxi. O filho dela se balançava sufocado no véu e eu não conseguia não olhar para ela. Uma cena tão triste e tão comum em Mumbai.


Essa semana, depois de ser enganado pelo motorista do tuk tuk (que queria me cobrar 5 vezes mais o preço da corrida), cheguei na empresa. Tive uma boa primeira impressão dos meus chefes, ainda assim existe uma adaptação a cultura da empresa e as minhas responsabilidades que leva tempo. Na volta, a entrada no trem foi desgastante. A estação estava tão lotada, as pessoas começavam a entrar no trem em movimento. Quando ele parava era uma briga, socos, como se a estação estivesse pegando fogo e a saída fosse a porta do trem. Quase perdi meus sapatos e entrei socado no trem depois de 4 tentativas sem sucesso. Deu vontade de chorar, eram 6h30 da tarde e pensei que ia ficar ali até meia noite para conseguir entrar em um trem.

Mas não adianta chorar que isso não vai resolver nada, não vai limpar as ruas, tirar as pessoas dos trens, organizar o trânsito, melhorar a vida de quem mora nas favelas, matar a saudade da família... A questão é se adaptar. Por isso, estou tratando de achar uma nova casa mais perto do escritório, conversando com outras pessoas da empresa e hoje vou falar com outros estrangeiros que estão aqui. Quero também começar a fazer academia (que fica na própria empresa!) porque isso me ajuda a relaxar e a ter uma vida mais saudável. Estou botando no papel algumas coisas que quero fazer nesse ano como aprender sobre como uma grande empresa funciona em um país bombante como a Índia, aprender sobre RH e Responsabilidade Social Corporativa, fazer yoga e também conhecer lugares que nunca iria como os Himalaias, o Taj Mahal,...

Trainees se encontram: motivação naqueles que passam pela mesma situação

Ao mesmo tempo em que tem as dificuldades de adaptação e as saudades, essa primeira semana já trouxe também momentos inesquecíveis, difícil de explicar sua beleza e como eles agregam para que sejamos seres humanos melhores. Como o dia em que pegamos o último trem e de tão vazio, ficamos na porta com braços para fora sentindo o vento enquanto o trem passava no meio das favelas de Mumbai. Ou o dia que sentados na praça, um indiano nos explicava sobre as castas, os casamentos e sobre como perceber se alguém era um dallit.

Desfile de sáris: a classe social é percebida na baixa ou alta qualidade do sári

O indiano apontou e disse: percebe-se que ela vem de um vilarejo, é uma dallit.

Hotel Taj Mahal: bomba de terroristas paquistaneses botou o hotel em chamas e os indianos em pânico

Porta para a Índia: Mumbai recebe o mundo por esta porta (Pyush da Índia e Akila do Sri Lanka)

Indiano para lá de fashion: eu perguntei para ele – você é um astro de Bollywood? E tirei a foto...

Partida de críquete: paixão nacional