segunda-feira, 1 de março de 2010

Feliz Holi!

Holi: Festival das cores

O Holi é um dos feriados mais esperados na Índia. Aconteceu hoje, 01 março. É como um carnaval, em todos os lugares as pessoas passam o dia celebrando com cores. Põem uma roupa velha e saem na rua para comemorar.

Feliz Holi!

Logo ao sair de casa, sua cabeça já está em risco de levar uma bolada de cores misturadas em um saco plástico.

Crianças celebrando Holi

No final do dia o resultado, é uma cidade colorida de vermelho, violeta, verde,...e um bom banho para tentar tirar as cores.

O vídeo abaixo mostra a doçura das crianças indianas ao brincar o Holi...


Holi com as crianças super da paz

domingo, 28 de fevereiro de 2010

As paradas bombantes de Bollywood!

Uma das coisas que mais tenho feito nas últimas semanas é escutar músicas de Bollywood. Como ela são legais! As danças, o ritmo,...adoro.

Nesse blog, posto as que mais tenho ouvido. Sucesso nas paradas indianas ;)

1) Kajra re

É uma música de um filme estrelado pela Aishwara Rai, ela foi Miss Mundo e aparece nas listas das mulheres mais bonitas do mundo. É um orgulho indiano e arrasa nesse clipe do filme.Tocaram essa música no casamento que eu fui, foi tudo de bom. Todo mundo dançando no meio da rua =D

Ex miss mundo, hoje arrasa em Bollywood

No you tube: http://www.youtube.com/watch?v=g6KMhL5zqWQ

2)Hey ya!

Do filme recém lançado Karthik Calling Karthik, um suspense romântico...exatamente, é um suspense e é romântico...a música é muito legal e o filme é supeeeer Bollywood!

Romance sem um beijo sequer...

Para ouvir o hit: http://www.youtube.com/watch?v=LNORVlUlcnY&feature=related

3)Marjaani

Maarjani é um hit do filme Bilu Barber, com o super mega hiper astro Shah Ruh Khan!! Livinha Brandao sentou do lado dele na estréia do novo filme em Berlin. Ela estava no lugar que outro 1 bilhao de indianos certamente sonhava estar...

Ele é um deus na Índia. Preprarem-se para entrar no ritmo alucinaaante de Marjaani...

super hiper megaaa astro de Bollywood

Ouça o mega super hit: http://www.youtube.com/watch?v=ACNdawEXCKU&feature=related

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ashoka: Tech 4 Society

Rumo a Hyderabad no tuk tuk

Quando estava no Brasil, fiquei sabendo de um evento organizado pela Ashoka - organização que criou o conceito de empreendedorismo social. O objetivo era reunir mais de 100 empreendedores sociais do mundo todo, junto de organizações, empresas e jovens do geração muda mundo. O evento estava marcado para fevereiro em Hyderabad, uma cidade bem no meio da Índia.

Indian School of Business: ISB

Pensei na época: nossa, seria um sonho estar lá! E não é que na última quarta-feira estava eu pegando o avião rumo a Hyderabad? ;)

O evento comeca!

Me candidatei para ser voluntário na organização do evento e ganhei o papel de tradutor! Tinha que ficar junto dos empreendedores sociais do Brasil e ajudá-los traduzindo as sessões de inglês para português.

Frase a frase: traducao nao e facil

Algo que se revelou um grande desafio. Não sabia traduzir. É algo bem complicado: se você traduz frase a frase não entende o contexto, fica igual um robô. Se traduzir idéia por idéia, não consegue passar a idéia toda, afinal não era sua, como é que você vai saber explicar?

Assim entre tropeços e acertos, passei os dias traduzindo e às vezes não traduzindo. ;)

O evento se chamava Tech 4 Society. A Ashoka é uma organização que apóia empreendedores sociais, os conecta em rede e cria uma plataforma para que eles possam cooperar e desenvolver suas idéias que contribuem para mudar o mundo.

O Bill Drayton é o cara que fundou a Ashoka e que defende a ideia de que no futuro todos serao agentes de mudanca. Eu pude trocar umas palavras com ele e disse que 3 anos atras estava em Vitoria trabalhando na AIESEC com uma equipe de umas 15 pessoas entre 17 e 20 anos aprendendo sobre o que raios vinha a ser empreendedorismo social. Agradeci a ele por ter dado formato a essa ideia e criado essa expressao.

Bill Drayton: fundador da Ashoka

A minha ex chefe, Leonora Mol, uma empreendedora social da Ashoka que trabalha nos Morros de Vitoria veio para India para o evento! Foi como um sonho reencontra-la e justo aqui na India. Ela e uma pessoa incrivel, sem duvida uma das pessoas com quem mais aprendi nos ultimos anos e que me inspirou muito em varias decisoes.

Leonora, eu e a boneca

Leonora junto de outras empreendedoras sociais

Alem dela, tinha uma equipe de brasileiros la!

Equipe do Brasil

Os brasileiros eram show de bola, tanto nas suas empreitadas sociais, nas suas ideias, pulso firme, autenticidade,...quanto na diversao. Entre eles estava o Augustin, criador da Sociedade do Sol, organizacao sediada na USP. Que figura!

Leonora e a figura do Augustin

O evento tava cheio de gente criativa, cheios de ideias para mudar o mundo, levando projetos desde empoderamento feminino nos EUA ate banheiros ecologicos em Uganda. Pessoas de 15 a 70 anos.

Alguns empreendedores socias da America Latina

A Albina Ruiz, por exemplo, e uma peruana que fundou a organizacao Ciudad Saludable em Lima, no Peru. De um sorriso aberto, me recebeu com um abraco firme. Por anos vi o video dela no site da Ashoka. A cidade passou a ver o lixo como uma fonte de riqueza e isso mudou a economia local.

Albina Ruiz transformou uma cidade no Peru e mudou a vida de milhares de pessoas

Meninos da India que emocionaram a plateia com a historia de uma tecnologia para despoluir agua, depois de contarem a historia de uma mae gravida que bebendo agua de um dos rios mais poluidos da India e por acao dos poluentes, deu luz a uma crianca sem um dos olhos.

Tuk tuk ecologico

Pessoas que inventaram tuk tuks ecologicos, sistemas de teste de HIV para populacoes rurais da Indonesia, levaram agua a populacao de baixa renda na India,...

As historias desses empreendedores fantasticos podem ser encontradas no blog do evento:

Ashoka Tech: Technology/ Invention.

Deficientes fisicos dancam de Bollywood a danca classica indiana!

Danca tipica indiana

Um pouco da cidade: Fica no meio da India, em uma regiao que ta querendo se separar da India ha um bom tempo e se tornar um pais independente.

No centro de Hyderabad sentia como se tivesse voltado ao passado

Camelos andando nas ruas de Hyderabad

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Dharavi, os problemas, as soluções e a praia

As últimas semanas na Índia foram loucas como de costume.Há umas duas semanas, descobrimos, por meio de um guia chamado Lonely Planet, que existia uma ONG que organiza tours ao Dharavi. O que vem a ser isso? O Dharavi não é nada menos do que a maior favela da Ásia. Foi lá em que foi gravado o filme Quem quer ser um milionário.

Cena do menino usando o banheiro público em quem quer ser um milionário

Reservamos e lá fomos em 8 pessoas, ao encontro dos guias do Dharavi. Eles nos esperavam na estação do trem, que fica do lado da favela. O Dharavi é uma favela esprimida entre dois bairros ricos de Mumbai. Em uma área talvez do tamanho da Praia da Costa moram 1 milhão de pessoas. Em grande parte muçulmanos e migrantes de vilarejos da Índia.

Mesquitas muçulmanas: as orações ecoam na favela o dia inteiro

Os níveis de violência são baixos e nem de longe se comparam com as favelas brasileiras. Mas o que assusta no Dharavi é a favela em si própria. É arrepiante.As casas são esprimidas, não tem prédios, não tem espaço. Famílias inteiras moram em um quarto único. Não existe privacidade no Dharavi.

Privacidade zero

O banheiro é ao ar livre. Como no filme quem quer ser um milionário, as crianças e homens simplesmente abaixam a calça na beira do rio poluído de esgoto e fazem tudo ali mesmo. A falta de saneamento básico é chocante. Uma tubulação enorme com água chega ao Dharavi. Essa tubulação corta um rio coberto de esgoto e lixo. Muito lixo. E em cima da tubulação, as crianças correm atrás da bolinha do críquete.

Tubulaçao com água chega para abastecer um milhão de pessoas

Subimos em uma telhado para ver a favela de cima e vimos vários telhados cobertos com lixo secando ao sol para reciclagem. Visitamos indústrias caseiras de fabricação de couro e tecido e de artesanatos de barro. Eles ao todo produzem 690 milhões de dólares no Dharavi. Dinheiro que, sem dúvidas, não está contribuindo em nada para melhorar a vida de quem mora lá.

Tubulaçao com água potável corta o esgoto

Ao todo faz dois meses que estou aqui. Sinto que foi o tempo necessário para quebrar esse casco que os estrangeiros tem que enfrentar quando vem para cá.

Imagina você saindo da sua casa, onde você tem sua comida na hora certa, sabe como a cidade funciona, entende a cultura...e chegando em um lugar que você não entende a cultura, não tem uma casa, não sabe pegar um ônibus, não come a comida,...

Muda tudo. Desde as coisas mais simples como entender o funcionamento da estação do trem até coisas mais complexas como religião, valores, crenças populares,...E essa diferença na mesma medida que cansa, renova as energias, te faz mais forte.

As última semanas foram loucas porque depois de um mês que achei que tinha meu canto em Mumbai, sabia pegar ônibus, tava comendo bem, lavando a minha roupa...fomos pedidos para sair do nosso apartamento, meu celular foi bloqueado, volume alto de trabalho, fiquei sem internet,...problemas pequenos quando vem um de cada vez. Mas e quando vem todos? E quando são combinados com um trem superlotado? Uma comida apimentada?

Rodamos atrás de apartamentos, fizemos e desfizemos panelinhas para enfim todos virem juntos morar no nosso novo flat!! Tivemos que pagar uma fortuna ao broker e ao dono. O broker é um cara que acha o apartamento para você e participa de toda a negocição com o dono. É prática comum na Índia, ainda mais em Mumbai. Aqui tudo é barato, mas alugar um apartamento é caríssimo. O que a gente morava custava 2500 reais por mês!

Agora estamos morando bem do lado da estação do trem. Imagina uma rua lotada, dobra. Adiciona vacas, galinhas, tuk tuks, caminhões, ônibus, carros, comércio de rua e muita, mas muita gente! Essa é minha nova vizinhança. Uma típica rua indiana, aquela que vem a cabeça quando você pensa na Índia ;)

Esse fim de semana tive um descanso da barulheira de Mumbai. Fui facilitar um treinamento sobre cultura com a Marina, una russa que trabalha na Tata comigo. Viajamos para o sul da Índia, uma cidade chamada Trivandrum, bem na pontinha, perto do Sri Lanka.

Coqueiros a perder de vista

O estado se chama Kerla e é famoso pela medicina ayurvédica, por ser comunista e ter recebido vários imigrantes do Tibete, pelos elefantes, pelas praias, coqueiros a perder de vista e pelos passeios de barco nos rios.

Massagem ayurvédica com óleos

A Tata organiza um treinamento de 3 semanas para executivos seniores que vão trabalhar com vendas, coloca todo mundo lá ne nesse centro rodeado de coqueiros de domingo a domingo. Como eles querem explorar mercados emergentes como América Latina e Europa Oriental, eu a Marina organizamos um treinamento sobre cultura, nossos países e sobre negócios nessas regiões.

Quarto da Tata

Foi super divertido, apesar deles terem anos na empresa, nos integramos muito bem. Começamos pagando um mico com uma dinâmica em que eu e marina estavamos vestidos com toalhas, a cara pintada para simular um jogo com eles.

Marina e eu

No domingo estavamos livres e fomos para a praia! Me esbaldei no sol e queimei feito uma pururuca. Tostei. Fiquei igual camarão. Fiz massagem ayurvédica com óleo quente e não queria mais sair daquele lugar.

Centro de massagem ayurvédica

De imprevisto, levei um tombo no quarto do hotel e cortei o pé. De volta a Mumbai, a médica da empresa fez um curativo e me deu uma injeção anti tétano advinha a onde? Na bunda! Virei a bunda para a indiana e levei uma agulhada. Agora to andando mancando, queimado e com a bunda doendo. Ainda tenho que correr para pular dentro do ônibus. Chalo ;)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

sábado, 23 de janeiro de 2010

BBB e a moral do dia

Hoje tava assistindo pela internet o Big brother 2010. Como aqui não tenho acesso a televisão, muito menos a globo. E como eu adoro o Big brother, tinha que achar um jeito de ver porque a joseane foi eliminada, qual o perfil dos participantes, qual a tirada do dia do Bial,...

O Big Brother é um dos meus programas prediletos, o perfil das pessoas é mostrado de forma tão crua...e eu adoro analisar perfis, supor comportamentos, tentar prever...para mim é uma grande diversão.

E essa versão tá ainda mais legal, as apresentações de cada um no programa inicial mostra várias pessoas que adoram aparecer, se mostrando de maneira tão crua...que te faz pensar sobre suas próprias características e como você se mostra...Filosófico, não?

Pois é, isso cabe bem no meu ano. Há dois meses morando na Índia, uma das coisas que mais me sinto tentado a fazer é me conhecer melhor...e nossa, como são tantas as oportunidades de se conhecer melhor!

Acho que em geral, quando se está feliz a gente se conhece melhor, porque a tendência é simplificar a forma como você enxerga suas qualidades e defeitos...quando a gente tá triste, a tendência é exagerar defeitos e exagerar qualidades. Prefiro simplificar.

E como é bom ter defeitos e qualidades! E como é bom discutir com outras pessoas, não concordar, brigar...e em outras vezes aceitar, se sentir incluido. É bom ser duas coisas ao mesmo tempo.

E melhor ainda é saber que você pode ser essas duas coisas.

Dou um exemplo. Eu adoro gente estilosa, usar cachecol, oculos com o aro preto, botas bonitas, corpo em forma, saudável...formas de se vestir que são pessoais, que tem um toque individual, diferente...mas ao mesmo tempo quem me conhece sabe que passo o dia com a roupa dormida, sou capaz de ir em um casamento vestido desse jeito, tomar banho só se tiver que sair...se arrumar dá um trabalho...

É bom ser você mesmo e se sentir bem sendo quem você é...até quando você aceita que não consegue aceitar algo...dou outro exemplo, como é engraçada a nossa relação com o corpo.Nunca está bom do jeito que está e sempre acreditamos que pode melhorar.

O Alain de Botton, un autor que eu adoro, uma vez disse como as pessoas se sentem inconfortáveis sendo quem elas são, estranhas no próprio corpo...para complementar: como é legal aceitar que você, por vezes, se sente inconfortável sendo quem você é...

Adoro um comportamento da minha amiga Dani araujo...quando ela tá de mau humor, tá de mau humor para todo mundo, não importa se você tem a ver com a história que deixou ela de mau humor ou não. E ela assume isso de maneira tão crua, como se dissesse: não tô bem hoje, algum problema com o fato de não estar bem?

Nenhum, Dani. Adoro não estar bem hoje e estar bem no dia seguinte.

Realmente. Como é bom criar frases que só você fala, se sentir inseguro e depois se sentir acolhido. Ser egoísta e não querer dividir. Como é bom ter idéias e dar idéias. Como é bom dançar. E como é melhor ainda bater boca com o vizinho que dá festas até de madrugada...como é bom chamar a atenção...como é bom julgar e depois se confundir no próprio julgamento...como é bom é ter amigos e ter inimigos...

Bom é não ter certeza de nada e querer sempre saber mais sobre si próprio.

Vou continuar assitindo o BBB!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Nossa casa ;)

Uma das partes mais legais da experiência tem sido a convivência com os meus colegas no nosso flat. Moramos em um apartamento em um bairro chamado Andheri West em Mumbai.

Nosso prédio

O apartamento em si não tem nada além das camas, armários e da gente. Parece que o antigo morador carregou tudo, desde o gás da cozinha até a fechadura interna da porta! A localização do apartamento é boa, o bairro é bom, cheio de restaurantes, shoppings e prédios mais bonitinhos.

Vista da varanda

Falo isso com certa experiência de caso. Tive que procurar apartamento, visitei dois. Cada um para 4 pessoas com 2 quartos. Moravam indianos e eu (se fosse morar lá) teria que dividir uma cama de casal com um indiano um ano inteiro, o cabo da internet tinha que ser revesado e o banheiro é daquele estilo de cócoras! Fora que os prédios eram feios de doer.

Vaso é um buraco no chão e...

...baldinho para lavar a bunda

Decidi ir morar com os gringos. Somos em 8: Timo (Finlândia), Vishal (Nova Zelândia/ Ilhas Fiji), Cristian (Alemanha), Harsha (Sri Lanka), Ada (Polônia), Ira (Casaquistão), Ashlee (Canadá) e eu (Brasil).

Formamos uma grande família, super bem entrosada. Morar com eles é uma grande diversão. Compartilhamos tudo, das dores de barriga aos almoços e passeios juntos Outro dia o Timo me ligou no trabalho para me perguntar qual era a marca do bolinho de chocolate que tinha comprado e se era gostoso. Vê se não é uma família?

As estrelas de bollywood moram pertinho daqui. Outro dia saimos para correr no parque e acabamos foi correndo junto dos indianos atrás de um trio passando pelas ruas com os atores promovendo um novo filme Dulha Mil Gaya (Você conseguiu um noivo!).

Estréias em Bollywood!

O Timo (Finlândia) é um cara super relaxado. Da riqueza de Helsinki e de um país de loiros com 5 milhões de pessoas ele veio morar em Mumbai (uma cidade que só ela tem 20 milhões, ou seja, 4 vezes a população do país dele). Imaginar a Finlândia e a Índia parece que é olhar para dois extremos, cada um em uma ponta. Ele veste uma capa de quem não liga para nada, tudo tá tranquilo. Na hora de discutir as contas da casa, de tomar uma decisão com a cabeça no lugar ou de contar uma história engraçada é só chamar o Timo. Todo durão e racional esconde o lado de quem desenha maravilhosamente bem, lê vários livros e é um sentimental de carteirinha.

Timo

A Harsha é simplesmente uma figura. Uma baixinha falante do Sri Lanka, amável. Passa o dia rindo e contando dos ensinamentos de Lorde Buda, do Sri Lanka e do dia em que ela bateu na cara do amigo de escola que tentou beijá-la no rosto. De uma família e um país bem tradicionais, os amigos dela não podem nem saber que ela mora com outros homens. Ela tá arriscada a não conseguir um casamento e perder o total respeito deles.

O Cristian é um alemão de carteirinha. A primeira vista de poucas palavras, durão, beberrão de cerveja. Mas quebrar essa barreira e engatar um conversa revela um cara super sensível, preocupado com os outros e extremamente consciente das coisas que acontecem ao redor dele. Ele veio para Índia apaixonado por uma indiana que morou na Alemanha e chegando aqui os dois tem enfrentado maus tempos pelas atitudes dos pais dela. Na Índia, uma idéia bem comum é a de que os indianos não devem namorar sem casar, outra é a de que não devem se casar com estrangeiros. Ou seja, os dois estão separados pela vigilância dos pais da indiana e, pela internet e chamadas escondidas no telefone, vivem um caso digno de novela das 8.Planejando o dia em que ela vai fugir com ele para o exterior.

Vishal, Harsha, Cristian, eu e Timo

O Vishal é uma figura. Nascido em Fiji (umas ilhas perdidas no Oceano Pacífico), ele e sua família imigraram para Nova Zelândia. Ele tem 22 anos de idade e veio aqui trabalhar em uma ONG com projetos contra o aquecimento global. Mas desistiu logo na primeira semana. Declarou que não gosta da Nova Zelândia e está de férias na Índia. E é assim que ele passa os dias cuidando dos cachos do cabelo, comprando roupas indianas em shoppings, curtindo as noites de Mumbai, os amigos indianos e os filmes/ estrelas de Bollywood. Ele aprendeu hindi assistindo aos filmes! E fazer tietagem com as estrelas do cinema é com ele mesmo. Ontem fomos um bar-boate super estiloso frequentado pelos atores, diretores e modelos de plantão. Imagina a gente na tietagem com os artistas. Vishal estava numa felicidade impagável.

Vishal e sua obra de arte: a revolta do meu cabelo!

Ashlee é uma canadense de um beleza digna de Hollywood. Com a voz suave e de forte presença, é só ela começar a falar que todos param para ouvir e admirar. Ela trabalha em uma grande multinacional alemã aqui em Mumbai, está namorando um polonês super gente fina.

Ira veio do Casaquistão, país que ela diz que ser chato e não ter nada para fazer. É super interessada em questões socias do tipo como acabar com a pobreza, como melhorar a educação. Veio para Índia para trabalhar com empreendedores apoiados pela Artemísia. O escritório dela é chocante, segundo o que ela disse. Fica em um lugar escondido, sujo. Mas o empreendedor social que ela apoia é um empreendedor da Ashoka e tem feito um trabalho fantástico de melhoria das condições de vida de milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza em vilarejos da Índia.

A Ada é uma polonesa louquinha. Tem 30 anos, adora turismo e deicidu largar tudo na Polônia e vir trabalhar na Índia. Ela tem a voz da experiência, mas sinto que é ainda uma menina no corpo de uma mulher.

Hoje fizemos um passeio juntos. Tipo domingo no parque com os irmãos. Mas não era um parque. Fomos ao Dharavi, a maior favela na Ásia. Lá foi filmado o filme Quem quer ser um milionário. Foi surreal. As impressões sobre essa favela de 1 milhão de pessoas e as outras aventuras e aprendizados em Mumbai ficam para o próximo post.